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domingo, 25 de outubro de 2009

Café da Manha no Guanabara, pra começar bem o dia em Montreal


De tanto ver o anuncio do tal Café Guanabara, fiquei curiosa e resolvi ir la na Avenue du Parc conferir. Foi tiro certo. O lugar na beirinha do Parc Mont Royal é agradavel, tem uma varandinha simpatica, toca Los Hermanos, e serve um honestissimo café da manha: um combo de café com leite, pao na chapa e suco de caju, com direito a um pao de queijo (por $2,50). A dona, Sandra, é uma curitibana simpatica, e cozinheira de mao cheia: faz empadinhas suculentas, brigadeiros e casadinhos gorduchos, coxinha de galinha bem sequinha... O café aberto em fevereiro deste ano tem tudo pra dar certo, além dos quitutes, no almoço, Sandra oferece feijoada por $9,50, e outros pratos com aquele tempero brasileiro bom. Ainda nao provei, mas fiquei com agua na boca, so de pensar naquele feijaozinho preto com lingüiça...hummm.

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domingo, 20 de setembro de 2009

Pra quem curte historia em quadrinho, Montreal é um paraíso


Agora que o outono se instalou de vez na cidade, vale começar a traçar o mapa das livrarias mais aconchegantes pra se proteger durante a próxima estação. Entre as maiores de Montreal, estão a anglofona Chapters/Indigo e a francesa Renaud Bray. As duas sao daquelas enormes, com cafés internos e muitos best sellers nas estantes. Na Indigo da Sainte Cathrine tem uma área bem grande de graphic novels – os quadrinhos – de fazer babar qualquer marmanjo. Sem falar nas três estantes de Manga que atraem curiosos e adeptos de toda Montreal. Nao tem programa melhor que escolher três ou quatro revistas, e se afundar nas gostosas poltronas de veludo da casa pra ler, enquanto se toma um café bem quentinho... Mas quem é fa de quadrinhos, nao pode deixar de conhecer a pequenina e independente Drawn and Quarterly na rua Bernard, aqui no Mile End. A livraria nao so vende as obras de desenhistas do mundo inteiro, como incentiva a produção de quadrinhos locais, e oferece oficinas pros visitantes. Apesar do tamanho, ela é repleta de objetos de desejo que sobem pelas paredes e deixam muitas livrarias de grande porte pra trás. A lojinha porém nao é lugar para a leitura, mas é um ponto-chave pra quem quer montar um bom estoque de livros, antes que as temperaturas glaciais tomem Montreal de assalto.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Passeio em Outremont e croissant com suco de laranja


Se você ainda não deu um bom passeio por Outremont, o bairro chique francês de Montreal, vale a pena reservar uma manha dessas para explorar seus recantos (de preferência nos dias de céu azul). Com um bom livro debaixo dos braços, basta procurar uma das pacatas pracinhas do bairro e esticar as pernas sob o sol, para sentir um pouco a alma do lugar. Outremont tem cara de Urca, é um bairro calmo, bem arborizado e animado pelo som de passarinhos e risadas de crianças ao fundo. Suas ruazinhas sao quase todas residenciais, cheias de casas enormes, daquelas que vemos nos filmes. Em uma hora na pracinha, ficamos íntimos dos moradores: as mães de dois ou três filhos, as senhoras e seus caes, as turmas de crianças das bochechas rosadas, as amigas do piquenique, os gatos fujões, os esquilos e passarinhos coloridos... O passeio se completa com um suco de laranja e um croissant fresquinhos na Croissanterie Figaro, esquina da Fairmount com a Hutchison. O café tipicamente francês é daqueles concorridos, principalmente em sua área externa de simpáticas mesinhas sombreadas e algumas flores. La é possivel fazer um lanche ou almoçar uma boa salada de rucula com salmao, por exemplo. Um otimo lugar para terminar o passeio. Bon appétit!




sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Por que Montreal? Alguns motivos para amar a cidade...


Montreal é uma bem-sucedida mistura entre as culturas francesa, inglesa e americana, e cultiva o que ha de melhor em cada uma delas. Um dos seus maiores charmes é o bilingüismo, presente em qualquer esquina da cidade. Das embalagens no mercado ao garçom do bar, das placas de rua aos artistas plásticos, tudo e todos se comunicam com desenvoltura no francês e no inglês (com algumas raras exceções). Très chique. Você entra num restaurante e ouve um sorridente “Bonjour, Hi”, a partir dai cabe a você escolher qual língua quer falar... Na academia, as aulas de ioga começam em inglês e terminam em francês, quem so sabe uma das duas línguas se enrola. Nos bares, o mais comum é ouvir o franglês, uma boa mistura dos idiomas criada pelos montrealenses mais antenados...

Montreal é uma cidade culturalmente efervescente. É uma referência quando o assunto é musica, dança ou arte contemporânea. Os inesgotáveis festivais, e as varias salas de show, cinemas e galerias de arte não me deixam mentir. Ha opções para todos os gostos, e felizmente sobram alternativas pra quem tem bom gosto. Nos cinemas, os lançamentos de Hollywood se misturam a filmes antigos do diretor americano John Cassavetes ou do francês Chris Marker. Documentários undergrounds do tipo Know your mushrooms! precedem o ultimo filme de Juliette Binoche, e por ai vai... Pra quem gosta de musica, a cidade é um prato cheio. Depeche Mode, Cold Play, Dave Brubeck e Ben Harper são alguns (poucos) nomes que estiveram nos palcos da cidade este verão. Sem falar nos ótimos músicos e bandas locais como a Broken Social Scene, o Patrick Watson, e a bonitinha da Feist que sempre dão uma calorosa canja pra gente.

O meio de transporte oficial de Montreal é a bicicleta. Com ela se chega par tout. Até no metrô é permitido carregar a duas-rodas. Quem não tem a sua pode alugar uma Bixi, bicicletas espalhadas pela cidade, que por cerca de dez dólares, ajudam a percorrer boas distancias. Montreal é quase toda plana o que facilita a locomoção de bike. E os adeptos são muitos. Tantos que organizados lotam ruas e parques, como no recém tour noturno de Montreal, evento bem curioso que comprova a adoração desse povo por este meio de transporte ecologicamente correto. A temporada das pedaladas vai até final de outubro, ou começo de novembro pros mais sagazes.


Em Montreal, como nas grandes capitais do mundo, come-se muito bem e de tudo. Cozinhas japonesa, polonesa, tailandesa, mongol, africana, mediterrânea, árabe ou de qualquer outra nacionalidade que vier à cabeça são fáceis de encontrar por aqui. Mas o que mais chama a atenção na cidade são seus simpáticos cafés. Neles rola o casamento perfeito entre o charme francês e a descontração montrealense em lugares com perfume e cara de casinha da vovó. Embora não ofereçam menus maravilhosos, os cafés esbanjam simpatia e muitas vezes alimentam a gente de boa musica ao vivo. Com quintais cheios de plantas, sofás velhos, espelhos e molduras rococós, potes de açúcar e croissants, cafés como o Blanc de Blanc, na Jeanne-Mance com Villeneuve, dão o tom à cidade. Este é tão descontraído que tem até maquinas de lavar roupa dentro! Quanto mais clima de casinha, melhor...

Pra quem ainda não se convenceu, ai vai uma razão irresistível para amar esta cidade. Montreal é cheia de surpresas, que reserva aos passantes mais atentos. Com tanta gente pensando em coisas legais, é fácil você cruzar iniciativas culturais inusitadas pelo caminho. Uma tarde no Parc Mont Royal rapazes fantasiados seguiam em direção ao coreto. La uma série de mascaras artesanais estavam sendo distribuídas às pessoas, e muitos jovens com fantasias engraçadas circulavam pelo local. Mais ao longe, meninas ensinavam a produzir mascaras com materiais coloridos. O esquema era escolher uma pronta, e deixar a que você fez de presente para o próximo passante. A tal mascarade foi organizada pelos estudantes de arte da Concórdia e terminou com um desfile pelo parque....uma delicia!

Outro dia, no caminho para um almoço perto de casa, um grupo de músicos também fantasiados fizeram uma performance interessante num beco próximo. Era carnaval no Brasil, e imaginei que se tratava de uma manifestação canadense em homenagem ao Rei Momo. Pra terminar, numa das ruelas do Mile End, região do Plateau onde moro, encontrei uma vez uma caixa cheia de livros abandonados... Voltei pra casa com cinco títulos de filósofos alemães debaixo do braço... É ou não é especial esta cidade?